Coronavirus: Como pequenas empresas podem reduzir o impacto econômico gerado pela pandemia

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O impacto econômico do novo coronavírus deve ser grande sobre as pequenas e médias empresas, caso as previsões de alastramento da doença no Brasil se confirmem.

Embora o cenário ainda seja incerto, especialistas recomendam que empresários já se preparem para os problemas que potencialmente encontrarão pela frente.

“O pequeno e médio empresário que estiver trabalhando com caixa muito apertado, dependente de receitas frequentes da sua operação para equilibrar sua vida, vai sofrer muito. Existe uma possibilidade grande de aumento do índice de inadimplência, quebradeira, não pagamento de salário, renegociação de comissões e afins”, afirma Roberto Kanter, professor de MBA da Fundação Getulio Vargas.

Esse grupo deve ser o mais afetado pelo coronavírus, avalia Kanter. Em contrapartida, quem estiver trabalhando com um caixa mais confortável deve atravessar esse momento de crise com maior tranquilidade, inclusive melhor do que as grandes empresas, mais engessadas para se adaptar a eventos inesperados do que negócios de menor porte.

Alguns setores já têm sentido o efeito do coronavírus, como quem trabalha com organização de eventos e turismo. Empresas do ramo de transportes, logística e seguros também devem sofrer um impacto expressivo, afirmam os especialistas.

“Uma das coisas que a gente imagina que pode acontecer é uma pressão para evitar aglomerações, o que deve gerar um impacto sobre quem trabalha com shows, eventos, cinema e até mesmo restaurantes, porque deve haver uma redução da demanda”, diz David Kallás, professor do Insper e consultor em gestão da estratégia na consultoria KC&D.

Na Itália, por exemplo, o varejo está paralisado e as pessoas, impedidas de viajar. Por outro lado, alguns setores podem sentir um efeito positivo: serviços de delivery -já que as pessoas tendem a evitar se expor a riscos saindo de casa- e de saúde, como farmácias e indústrias do ramo.

O professor da FGV aconselha inclusive que aqueles que ainda não trabalham com serviço de delivery, estudem começar a fazê-lo. “Se você tem um pequeno restaurante e não quer pagar a taxa do aplicativo de entrega, eu recomendo reavaliar, porque é melhor vender alguma coisa do que nada”, afirma.

Kallás recomenda que o empresário, seja de qual ramo for, pense em termos de cenários possíveis, do mais pessimista ao mais otimista, elaborando uma estratégia para cada um.

“Como estamos em um momento de muita incerteza, não dá para cravar uma previsão ainda. Pode ser que a gente vire a Itália, pode ser que ninguém pegue a doença. Não sabemos. Então tente desenhar dois ou três futuros possíveis e antecipar os movimentos que você pode fazer, identificando os sinais de alerta que mostrariam que cada cenário está se concretizando”, afirma o professor do Insper.

Os especialistas chamam atenção para algumas áreas mais sensíveis, como a cadeia de fornecedores e o quadro de funcionários. A recomendação é que os empresários já pensem em alternativas de suprimento de materiais e em formas de organizar o trabalho remotamente.

Em relação aos funcionários, Kallás sugere ainda pensar num plano de contingência caso alguém da equipe seja diagnosticado com o vírus. Informar-se com o plano de saúde sobre os procedimentos a serem tomados, definir formas de apoio ao funcionário e de proteção do resto da equipe são as prioridades nessa tarefa.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde são algumas fontes de informação que podem ser utilizadas para planejar essas ações.

“Tem que pensar também no coletivo nessa hora, como cidadão. É um problema de saúde pública que precisa ser administrado. Se as pessoas todas contraírem a doença ao mesmo tempo, é o pior dos cenários. Vamos esperar que a taxa de infecção seja minimamente lenta para que o sistema vá se estabilizando. O papel do pequeno empresário é conseguir retardar isso, é uma contribuição social”, avalia Kallás.

O professor do Insper aconselha ainda preparar, se possível, um plano para que o próprio serviço oferecido pela empresa tenha uma versão virtual -por exemplo, aulas à distância no caso de escolas ou reuniões via Skype para consultorias.

Em razão das incertezas que permeiam o cenário atual, Kanter orienta que o empresário não faça nenhuma nova despesa a não ser que seja algo urgente. Empresas muito orientadas para vendas, por sua vez, podem começar a revisar as metas para o próximo trimestre.

“Agora é um momento de olhar para dentro da operação da empresa. Melhorar processos, evitar desperdícios, não gastar dinheiro com o que não for necessário”, recomenda.

Empresas já começam a se planejar

Na fintech Cora, voltada para pequenas empresas, 100% dos funcionários foram colocados em home office a partir de quinta (12). Igor Senra, CEO da empresa, afirma que a decisão foi complexa. “Você não quer ser o bobo da vez, criar pânico, fazer algo que as pessoas se assustem, e amanhã ou depois se provar errado”, diz.

Apesar desse receio, a empresa buscou estudar a fundo os dados disponíveis sobre a pandemia. Observando que os países que conseguiram controlar a disseminação da doença têm em comum uma ação rápida de isolamento social, eles decidiram tomar a iniciativa e optaram por esse caminho.

A preocupação não é só com o contato no ambiente de trabalho, mas principalmente com o deslocamento entre casa e empresa, frequentemente feito por transporte público -aglomeração propícia à contaminação. Na visão do empresário, a medida também deriva de uma noção de compromisso social, aliviando a pressão sobre os sistemas de transporte e saúde que potencialmente serão sobrecarregados pelo vírus.

Senra reconhece, no entanto, que a facilidade de adotar o trabalho remoto é uma vantagem do seu ramo -na empresa, todos já tinham notebook e estrutura para home office, uma vez que a prática acontecia em período parcial na empresa. “A pessoa com loja de rua que precisa de um cliente fica numa situação mais difícil”, diz.

O empresário também trabalha com a perspectiva de impacto do vírus sobre os seus negócios. Nesta sexta (13), o plano da equipe é quantificar esse efeito. “Somos uma conta digital para pequenos negócios. É claro que nossos clientes vão sentir, e muito. E, se eles sentem, nós sentimos. É um efeito cascata”, diz.

 

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