Coronavírus impulsiona delivery no Brasil e muda rotina de restaurantes e consumidores

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Com salões vazios, restaurantes investem em delivery, enquanto apps lançam medidas para reduzir contato entre fornecedores, entregadores e consumidores.

Desde que aumentaram casos do coronavírus no Brasil, especialistas recomendaram isolamento social para o máximo de pessoas possível.

Diversas empresas decretaram home office e centenas de eventos foram cancelados em todo o País, em um esforço de conter aglomerações e diminuir o contágio do vírus, que já infectou ao menos 904 brasileiros.

Enquanto a economia fica paralisada, com projeções de retração expressiva em 2020, um setor em particular tem sido (ainda mais) alavancado pela quarentena voluntária destas e das próximas semanas: os aplicativos de delivery.

Entre aqueles que estão ― ou se preparam ― para ficarem isolados em casa, aplicativos de delivery de refeições e alimentos têm sido uma opção para evitar idas aos supermercados e restaurantes.

Ao HuffPost Brasil, o aplicativo de delivery Rappi informa que registrou nas últimas semanas um aumento de 30% no número de pedidos, principalmente em restaurantes, supermercados e farmácias.

“Desde que as conversas sobre o coronavírus se iniciaram, percebemos um aumento significativo no número de pedidos de supermercado — o que acreditamos ser uma resposta dos usuários preocupados com o tema incerto e medidas de quarentena sendo tomadas em diferentes cidades”, informou a assessoria da Rappi.

Segundo a companhia, as buscas saltaram porque as pessoas se sentem mais seguras fazendo compras pelo aplicativo e evitando contato com pessoas.

Para assegurar a segurança da comida entregue, a Rappi também atualizou diversos protocolos dos entregadores parceiros. O primeiro foi incentivar pagamento via aplicativo, para que diminua o contato na hora da entrega. A empresa também disponibilizou álcool 70% e panos desinfetantes aos entregadores.

Outra decisão, mais drástica, foi o lançamento da opção “entrega sem contato”, na qual o consumidor pode pedir ao entregador para deixar o pedido na porta ou portaria da residência e se afastar por 2 metros, para evitar a proximidade ou qualquer contato com o motociclista.

Essa opção também foi adotada pelo Uber Eats. Em sua cartilha de recomendações aos entregadores e novos recursos contra a covid-19, a plataforma informa que os clientes poderão informar como querem receber os pedidos.

Os usuários podem enviar uma instrução aos entregadores pedindo para que eles deixem o pedido na porta.

O iFood informa que também está testando entregas com menor contato. A plataforma já disponibiliza a opção “entrega sem contato”, que pode ocorrer tanto entre consumidores e entregadores, mas também entre entregadores e funcionários de restaurantes.

Além disso, a empresa está reforçando as recomendações do Ministério da Saúde aos seus consumidores, entregadores e restaurantes parceiros. Foram enviados comunicados informativos, em que se reforçam as boas práticas e medidas preventivas.

“A empresa entende que ainda é prematuro dimensionar o impacto da covid-19 no mercado de food delivery brasileiro. O iFood possui flexibilidade para ajustar rapidamente suas operações de acordo com as necessidades do mercado e está em constante contato com as autoridades, inclusive sobre esse tema”, disse a assessoria do iFood, acrescentando que o serviço continuará em funcionamento ao longo destas semanas de maior restrição de atividades e comércios País afora.

É seguro pedir delivery?

Enquanto dura a quarentena, muitos brasileiros se perguntam se alimentos preparados em restaurantes poderiam transmitir o novo coronavírus.

De acordo com as diretrizes da autoridade sanitária europeia European Food Safety Authority (EFSA), atualmente não há “nenhuma evidência de que alimentos podem ser fontes ou rotas de transmissão do vírus”.

“Experiências com surtos anteriores de outros coronavírus, como o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave e coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio, mostram que a transmissão pelo consumo de alimentos não acontece. No momento, não há evidências que sugiram que o novo coronavírus seja diferente”, disse a cientista-chefe da EFSA, Marga Hugas.

comunicado da EFSA ressalta ainda que, apesar de a infecção provavelmente ter começado a partir de animais na China, o vírus é transmitido de pessoa para pessoa, através do contato físico, gotículas de saliva, espirros e tosse.

 

Em nota enviada ao HuffPost, o iFood reforça as diretrizes internacionais sobre a questão:

“Importante lembrar que de acordo com autoridades globais, não há relatos de que a covid-19 possa ser transmitida por alimentos.”

– IFOOD

Ao HuffPost, a presidente da associação Food Safety Brazil, Juliane Dias, afirma que, a priori, não há risco de contaminação do vírus por alimentos, mas não é possível confirmar a tese pois “ainda não há conhecimento suficiente para sermos afirmativos”.

Dias, contudo, ressalta alguns cuidados que consumidores devem ter para além da contaminação do vírus. “Aumentos de demanda abruptos por alimentos preparados em cozinhas que não têm estrutura para este tanto [de pedidos] podem trazer riscos por descuido na manipulação de alimentos de rotina. Alimentos expostos por muito tempo à temperatura ambiente, descongelamento feito fora da geladeira, pressão dos cozinheiros para entregar grandes volumes, descuidando-se de lavar as mãos e da higiene de superfície e utensílios… Tudo isso pode trazer outras doenças já bastante conhecidas”, explica.

“Idealmente o consumidor deveria ter conhecimento de como o alimento é preparado nestas cozinhas.”

– JULIANE DIAS, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO FOOD SAFETY BRAZIL.

Auxílio aos entregadores

Não só visando os consumidores, as empresas de delivery anunciaram medidas de proteção e auxílio aos entregadores, que certamente estão mais expostos ao contágio do que os consumidores que estão em casa.

A Uber informou que motoristas ou entregadores diagnosticados com covid-19 ou que estiverem em quarenta receberão assistência financeira por até 14 dias enquanto sua conta estiver suspensa. “Já ajudamos motoristas parceiros em algumas áreas afetadas e estamos implementando essa medida rapidamente em todo o mundo”, informa a companhia.

Nos Estados Unidos e no Canadá, a empresa suspendeu a taxa de entrega de restaurantes independentes ― medida que ainda não foi replicada no Brasil.

O iFood criou um fundo solidário no valor de R$ 1 milhão para dar suporte aos entregadores que precisem ficar em quarentena. “A orientação ao entregador que tenha suspeita ou confirmação da covid-19 é que siga todas as recomendações de saúde transmitida pelos órgãos públicos e, assim que possível, comunique ao iFood pelos canais de atendimento”, informa em nota.

Já a Rappi informa que está seguindo protocolos de autoridades sanitárias e diz analisar todos os dias a situação para implementar novas medidas. “Os entregadores parceiros são fundamentais para a Rappi. Temos um fundo e um plano em desenvolvimento para apoiá-los. Estamos também realizando uma forte campanha de prevenção, que é fundamental neste momento para evitar o contágio”, diz a empresa em nota ao HuffPost. “Estamos trabalhando em conjunto com estabelecimentos parceiros e governo para atender às necessidades das pessoas.”

Com restaurantes vazios, delivery é a solução

Com salões vazios, restaurantes já começaram a investir em entrega de comida.

A Torteria, restaurante paulistano de tortas, já notou que o almoço presencial estava mais baixo que o normal nesta semana e prevê aumento de pedidos via aplicativos de delivery.

Para isso, a atenção à higiene foi redobrada. Além de adotar medidas complementares, como a disponibilização do álcool em gel aos clientes que comem no salão, o restaurante reforçou a higienização de utensílios e apetrechos de serviço antes e após cada uso.

A equipe de cozinha, assim como os colaboradores, também receberam novas orientações de conduta, como a higienização constante tanto das mãos, quanto dos objetos em comum, como máquina de cartão eletrônico, porta-contas e cuidado com a manipulação de cédulas de dinheiro.

Sem clientes presenciais, o jeito é ampliar a oferta em delivery. A Torteria vai oferecer promoções para tortas e combos, aumentar da produção de congelados e contratar mais entregadores.

Este é o caminho que muitas empresas de alimentação têm adotado desde que o governo incentivou a quarentena voluntária. Apesar de se reinventar, o setor também prevê crise. Na última segunda-feira (16), o presidente da Abrasel, associação de bares e restaurantes do Brasi, Paulo Solmucci Jr., conversou com integrantes do governo federal e fez reivindicações para o setor.

“O setor de bares e restaurantes vai merecer um apoio especial que vai ser estudado, e a gente está bastante animado com essa possibilidade”, disse o presidente da Abrasel.

Solmucci disse que o setor de bares e restaurantes está sendo fortemente afetado pela crise e estimou que os próximos três meses serão mais difíceis. Ele afirmou ainda que o fechamento de bares e restaurantes no âmbito do enfrentamento ao coronavírus, já orientado em estados brasileiros, representaria “um colapso”.

Fonte: https://www.huffpostbrasil.com/entry/delivery-comida-coronavirus_br_5e6fcd76c5b63c3b6482a20a

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